Saltos de Desenvolvimento e Picos de Crescimento

Já há alguns meses que venho conversando com várias mamães que têm seus bebês aproximadamente na mesma idade e cujos comportamentos têm sofrido mudanças bruscas. Então, resolvi escrever esse post sobre uma das melhores descobertas para que eu pudesse ‘entender’ um pouco mais o que se passava com a pequena, mas que também é uma das mais complicadas de vivenciar!

Ah, afinal, como torci pela sobrevivência durante os 3 primeiros meses de vida da Juju, com todas as peculiaridades deste período, os desafios intermináveis, as noites mais dramáticas com as cólicas mais intensas… enfim, uma hora ainda consigo tratar desse período dos 3 primeiros meses também de forma mais tranquila, podendo efetivamente agregar algo positivo para as mamães que estiverem neste período do puerpério! Especialmente para as mamães de primeira viagem!

O mais curioso foi que, esperando chegar finalmente os 3 meses e concluir o que chamam também de extero-gestação de acordo com a teoria de mesmo nome (acredito que valha um post à parte dedicado a este conceito em outro momento), principalmente com as cólicas podendo se tornar mais amenas, o que observei mesmo após este período foi uma certa desordem!

Isso mesmo: uma certa desordem com mudanças repentinas em comportamentos e nos poucos padrões que aos poucos eu conseguia identificar! Acredito realmente que muitas de vocês também possam se identificar e se deparar com esta situação em algum outro momento com seus pequenos, em especial durante o primeiro aninho de vida deles!

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Embora eu tivesse já uma remota lembrança de ouvir algo que se referia a estas circunstâncias ao estudar sobre desenvolvimento, foi com uma amiga mãe que veio efetivamente o despertar para esses conceitos que passaram a ser chaves para que eu também conseguisse lidar de maneira mais adequada com tantas alterações desse período.

E é aí que passei a atentar aos saltos de desenvolvimento e aos picos de crescimento do bebê! O que ocorria é que, cada vez que eu acreditava que estava entendendo melhor o funcionamento da pequena, sistematicamente algo acontecia e tudo mudava repentinamente. Bem aquela história de que ‘quando achamos que sabemos todas as respostas, mudam-se todas as perguntas’… Eis que, do dia para a noite, os horários e o número de mamadas mudavam, o sono ficava alterado, a irritação, a agitação… enfim, praticamente tudo! E é aí que entram estes conceitos que podem ajudá-las um pouco mais também com seus pequenos:

Saltos de Desenvolvimento acontecem porque o desenvolvimento dos pequenos não é exatamente constante, portanto há períodos em que se desenvolvem mais rápido e outros em que desaceleram. Sendo assim, isso ocorre todas as vezes em que o bebê adquire alguma habilidade funcional específica, a qual pode estar relacionada ao desenvolvimento motor (em que aprendem a usar grupos de músculos para sentar, andar, entre outros), ao desenvolvimento  do controle motor fino (em que coordena o movimento das mãos para comer, desenhar, se vestir, entre outros), à linguagem (em que se desenvolve a fala, a linguagem corporal e os gestos, com a comunicação e o entendimento envolvendo os outros), ao desenvolvimento cognitivo (em que se adquire habilidades de pensamento envolvendo o aprendizado, a capacidade de compreensão, resolução de problemas, raciocínio e memória), e também ao desenvolvimento social (em que se interage com familiares, amigos e professores demonstrando cooperação e exercitando a empatia).

Estes saltos fazem com que, ao adquirir uma habilidade nova, o bebê fique extremamente entusiasmado e obcecado em praticá-la o tempo todo, inclusive nas horas destinadas ao sono e podendo alterar drasticamente rotinas que já estavam estabelecidas. Assim, todo o trabalho realizado pelo cérebro neste período pode ter este efeito sobre os bebês, em menor ou maior grau.

Da mesma forma, um pouco antes do salto em que se adquire a habilidade, o bebê também pode se mostrar um pouco mais perdido e absorto, uma vez que seu sistema cognitivo e a sua percepção já sofreram alteração com uma maior maturidade neurológica, mas ainda não houve tempo suficiente para que o bebê se adaptasse a essas mudanças. Diante disso, o bebê pode se sentir estranho em relação a tudo o que o cerca e, em resposta a ansiedade gerada, tende a buscar o que lhe é mais familiar, portanto, tende a ter maior apego à mãe nesta fase. Assim, tendem a ficar mais carentes, precisam mais de colo e, não raro, costumam apresentar alterações de sono e de apetite.

A duração destes saltos pode variar bastante, assim como a sua intensidade, mas, em geral, em algumas semanas tudo tende a voltar à normalidade e o bebê passa a se sentir mais adaptado às mudanças, contente pela nova habilidade conquistada, de forma que se sente também mais independente e apto a explorar um pouco mais o mundo que o cerca, voltando a se separar um pouco mais da mãe. No entanto, esta mesma situação também pode gerar ansiedade e continuar oscilando entre apego e separação.

O mais recomendado e mais desafiador neste momento é ter paciência e empatia em relação ao bebê, oferecendo a este cuidados com carinho e experiências novas que possam dar conta de seu desenvolvimento mais  do que brinquedos caros, falando, cantando, lendo e brincando com o bebê.

Embora cada bebê tenha seu próprio ritmo e demonstre mais ou menos estes saltos (podendo até a não demonstrar quaisquer alterações, embora todas as crianças efetivamente passem por eles), eles geralmente ocorrem nas seguintes fases:

  • 5 semanas (1 mês): nesta fase os bebês têm mudanças significativas na visão e passam a ficar mais acordados entre as sonecas, se interessando mais pelo ambiente. Também passam a chorar com lágrimas e sorriem pela primeira vez.
  • 8 semanas (quase 2 meses): os bebês passam a perceber melhor diferenças nos sons, cheiros e sabores. Percebem também que as mãos e os pés pertencem ao corpo e começam a tentar controlar estes membros. Eles começam a experimentar a voz e a demonstrar personalidade, o que mais gostam e buscam se virar em direção ao que lhes interessa. Devido à insegurança gerada, podem vir a demandar mais o conforto do peito da mãe.
  • 12 semanas (quase 3 meses): os bebês enxergam mais longe, começam a se virar quando escutam um som e tornam-se mais sensíveis às novidades, sempre buscando muito apoio junto em seus pais.
  • 19 semanas (4 meses e meio): o desenvolvimento motor se torna mais aguçado. Os bebês podme começar a virar de costas e de barriga, se arrastar. Esse é um dos saltos mais longos: dura cerca de 4 semanas, podendo porém se estender por até 6 semanas. O bebê também fica mais carente e costuma ter alteração significativa do sono. É uma das fases que o bebê fica mais irritadiço. (Aqui especialmente tenho a lembrança de Juju passar horas em uma noite apoiada nos dois bracinhos e com a cabeça erguida, balançando para a frente e para a trás como se quisesse começar a engatinhar e extremamente irritada a cada tentativa frustrada. Imaginem que não foi muito fácil fazê-la entender que estava tudo bem não conseguir tanto naquele momento! rsrs).
  • 26 semanas (6 meses): há maior coordenação dos braços e das pernas. Os bebês passam a se sentar sem apoio e costumam reclamar quando a mãe sai de perto ao entender que, ao andar, a mãe se afasta. Após o salto, vão se interessar em virar, coisas, levantar tapetes, abrir armários, entendem o que está embaixo, dentro, fora, e adquirem maturidade para receberem alimentos sólidos.
  • 30 semanas (7 meses): os bebês tentam se jogar adiante para alcançar objetos, batem um objeto em outro. Podem começar a engatinhar, a falar algumas sílabas e entendem melhor o conceito de permanência das coisas. Podem fazer sinal de tchau. Sentem ansiedade em relação a estranhos.
  • 37 semanas (8 meses e meio): os bebês ficam ‘temperamentais’, choram com mais frequência. Querem ter mais atividades e protestam se não as tem! Também passam a não querer que troquem sua fralda. Dormem menos, têm menos apetite, movimentam-se menos e “falam” menos. Passam a entender que as coisas podem ser classificadas, portanto, já sabem o que é comida e o que é animal. Começam a engatinhar e a procurar objetos escondidos (por aqui a agitação foi tanta que precisava ir para locais mais tranquilos para que Juju se concentrasse para mamar e quase aparentava desmame, tal a atenção que os demais estímulos lhe roubava! Mas felizmente voltou ao normal depois de algumas semanas).
  • 46 semanas (quase 11 meses): os bebês costumam começar a entender o funcionamento de algumas coisas, como chaves em fechaduras e meias nos pés, por exemplo. Podem se levantar por alguns segundos, se movimentar mais, entender o “não” e instruções simples.
  • 55 semanas (quase 13 meses): geralmente é a fase em que os bebês começam a andar – é um salto bastante significativo no desenvolvimento.
  • 64 semanas (quase 15 meses): há o uso de palavras e gestos para expressar o que querem. Começam a comer sozinhos e atendem a instruções simples (ex: pegue o bloco).
  • 75 semanas (17 meses): os bebês usam cerca de 6 palavras regularmente, gostam de jogos de imitação, de esconder brinquedos, alimentar uma boneca, jogar bola, dançar, separar brinquedos por cor, formato e tamanho. Passam a olhar os livros sozinhos e rabiscam bem.

Já os Picos de Crescimento são períodos em que os bebês efetivamente crescem de forma mais acelerada, demandando mais mamadas, uma vez que precisam de mais alimento para suportar este ritmo de crescimento. Passada a fase de pico, o estímulo aumentado da mamada em livre demanda deste período faz com que a produção do leite se ajuste e suporte a maior quantidade necessária para o ritmo de mamadas que volta a diminuir após a fase de pico de crescimento. Como a frequência das mamadas durante os picos de crescimento aumenta, geralmente os bebês muitas vezes passam a acordar mais vezes à noite para mamar e não dormem mais a noite inteira. Geralmente estes picos duram de poucos dias a uma semana e costumam ocorrer nos seguintes períodos:

  • 7-10 dias
  • 2-3 semanas
  • 4-6 semanas
  • 3 meses
  • 4 meses
  • 6 meses
  • 9 meses (mais ou menos).

Por fim, é importante salientar que os saltos de desenvolvimento não terminam na infância, mas continuam até a adolescência, assim como também ocorre com os picos de crescimento, considerando que a adolescência é um momento em que mudanças físicas e emocionais são mais significativas e evidentes.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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