A adaptação escolar da Juju – A preparação e a decisão

Há algumas semanas foi dia de reunião pedagógica na escolinha da Juju, já sendo a segunda da vida (agora já tendo iniciado tarefas de casa e outras atividades), e me dei conta que ainda não havia escrito os posts da adaptação escolar como prometi e como muitas mamães ainda me pedem. No entanto, só agora consegui me sentir mais confortável também sobre o tema, afinal, é importante lembrar que a adaptação escolar não é só por parte da criança, definitivamente!

Então, vamos iniciar com a nossa experiência e algumas dicas que podem facilitar um pouco mais o processo, desde minha visão enquanto mãe, como enquanto psicóloga absolutamente apaixonada por desenvolvimento humano!

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Como alguns que nos acompanham já devem saber, nossa primeira maior separação foi quando, aos quase 6 meses de vida da Juju voltei a trabalhar em uma cidade diferente da qual temos nossas famílias e até mesmo da cidade em que meu marido trabalhava. Com certeza foi um período desafiador, mas em que fomos abençoados com pessoas extremamente especiais em nossas vidas e que tornaram todos estes desafios mais leves e a superação de todas as barreiras da volta ao trabalho após a licença-maternidade possível. Claro que isso merece um post específico depois e rende a minha amizade e gratidão eterna a uma grande família que amamos imensamente e que nos acolheu de uma forma realmente especial! Tudo isso fez com que, apesar de todos os sentimentos que envolvem uma primeira separação, como a culpa da mãe ao se sentir ‘abandonando’ um ser tão pequenininho e por quem seu amor realmente transborda, tivéssemos uma adaptação extremamente tranquila. Sobretudo tive a sorte de, neste momento, contar com uma família que compartilhava incrivelmente dos nossos valores e representava a continuidade do nosso lar no qual Juju estava inserida até aquele momento. Certamente isso facilitou demais a adaptação e sou grata eternamente por ter tido essa possibilidade naquele momento (definitivamente, naquela ocasião, eu não conseguia sequer considerar a possibilidade de colocá-la em ambiente escolar exatamente por tudo o que descrevi acima sobre vínculo!). E assim continuamos até ela completar 1 ano e quase 6 meses, em uma rotina extremamente difícil e pesada longe de nossas famílias e do marido.

No momento seguinte, optei por me mudar para a cidade em que trabalhava meu marido e aí foi um intenso momento de redenção, no qual eu pude finalmente vivenciar integralmente toda a relação com a Juju e compartilhar a rotina com o marido, de forma que pudéssemos criar bases ainda mais fortes para os vínculos que estávamos construindo enquanto família! Tempos de decisões bastante complexas, especialmente profissionais para mim, mas que também sabia serem absolutamente necessárias para o desenvolvimento que queríamos da Juju e também de nós todos enquanto família!

Nesta fase nos mudamos para um condomínio que nos permitia uma área de recreação com outras crianças e de lazer com a pequena, o que certamente também viabilizava o desenvolvimento que buscávamos para ela.

Enquanto observava a forma com a qual ela se desenvolvia também nas relações, próximo aos 3 anos percebi que não colocá-la na escolinha deixava de ser algo que a protegia e beneficiava e passava a ser algo que começava a lhe causar sofrimento. Afinal, ela começava a requisitar uma interação maior com outras crianças e que nós não mais conseguíamos suprir, seja brincando com ela, seja apenas com os amiguinhos do nosso dia-a-dia. Nessa hora a gente percebe um verdadeiro salto de desenvolvimento da criança e também do nível de energia dela, pois ele simplesmente triplica!!

Enfim, chegamos a um ponto que, para mim, era extremante importante e sou realmente grata por ter podido vivenciar: ela iria para a escolinha por conta de necessidades DELA em seu desenvolvimento natural, não por dificuldades ou impossibilidades NOSSAS! E foi exatamente aí que decidimos colocá-la na escolinha por meio período, mais precisamente a partir de agosto do ano passado e a adaptação escolar, contrariando várias das minhas expectativas, foi extremamente tranquila… só para ela, claro!! rsrs

A escolha da escolinha seguiu muito do que eu acreditava ser o melhor ambiente para o desenvolvimento dela, considerando que Juju sempre foi extremamente relacional, afetiva e curiosa. Sendo assim, não conseguia imaginá-la em uma escola grande, cinza, excessivamente tradicional e racional neste momento…

Diante disso, complementando tudo o que já foi exposto aqui até o momento e respondendo a muitas mamães que frequentemente me perguntam sobre a decisão por colocar na escola, algumas outras informações me foram particularmente relevantes para a tomada de decisão do melhor momento para nós:

1) Sabe-se por diversos indicativos da psicologia do desenvolvimento que apenas quando estão próximas aos 3 aninhos é que as crianças começam efetivamente a se socializar. Portanto, neste período elas passam do ‘brincar ao lado’ uma da outra para realmente começarem a interagir e a reconhecer o papel e a presença ativa do outro. Claro que sempre respeitando o tempo específico de desenvolvimento de cada criança, considerando que umas se adiantam um pouco neste prazo, outras se atrasam e outras até parecem não vivenciar de fato tal fase. Até chegarmos neste período, enfim, o vínculo com a mãe é a principal referência para a criança e precisa ser constantemente reforçado positivamente. No meu caso, como pude optar por vivenciar esta parte do desenvolvimento da Juju bem de pertinho, assim o fiz, maternando integralmente.

2) A imunidade é outro ponto que para mim era extremamente sensível. De acordo com os pediatras, as crianças passam a ser consideradas com um sistema imunológico mais maduro a partir dos 5 anos, mas sabe-se também que atualmente esta data não nos parece razoável esperar para iniciar a vida escolar. No entanto, o quanto mais próximo a esta idade for a iniciação, espera-se que as crianças tenham também os famosos episódios das doencinhas próprias deste início do convívio escolar, no entanto, com frequência e intensidade supostamente minimizados.

Obviamente sabemos que nem sempre temos essa escolha nestes termos e que naturalmente podemos idealizar muitos dos aspectos que nos causam tantos medos, mas aqui está um pouco da nossa experiência, do que pudemos considerar, e que, para o nosso funcionamento, de fato contribuiu para uma preparação e uma decisão que nos surpreendeu positivamente em relação aos seus resultados.

Sendo assim, buscando evitar um post demasiadamente extenso, decidi dividir o tema e tratar, em um próximo post, sobre o tema da adaptação escolar em termos da nossa vivência e de dicas que podem contribuir para o sucesso do processo.

Portanto, estão convidados a acompanhar a continuidade desta história no próximo post sobre o tema!

 

 

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